Seguiu-se a intervenção de Inês Almeida (ICS-UL) intitulado “Políticas de Moralidade em Portugal: Agendamento e Formulação dos Assuntos da Eutanásia, Gestação de Substituição, Famílias Homoafetivas e Prostituição”, focando nos resultados empíricos da sua tese de doutoramento. Começou por explicar a origem e relevância do projeto, vindo preencher uma lacuna na análise portuguesa com a análise de quatro estudos de caso (eutanásia, gestação de substituição, famílias homoafetivas e prostituição), um conjunto alargado de atores e um longo período temporal (20 anos).
De seguida, interveio Carolina Querido (IPRI-NOVA/Observatório Político), a propósito d’ “O aborto como referendo e política de moralidade”, debruçando-se sobre os desenvolvimentos da sua tese de doutoramento (“O teu corpo, a minha escolha? Uma análise da politização do aborto na agenda dos partidos PRR”). A sua investigação, que surge de um momento que descreveu como um verdadeiro “evento-foco”, centra-se na relação entre género e populismos, ainda relativamente pouco explorada na literatura, apesar da sua crescente relevância no contexto nacional e europeu.
Seguidamente, apresentou Jorge Tabuada (ISCTE-IUL), ativista pelos direitos LGBTQIA+, sobre “Políticas LGBTQIA+ em Portugal: desde o 25 de abril até à atualidade”. A sua intervenção partiu de uma reflexão sobre a atualidade política, marcada por sinais de retrocesso em direitos recentemente conquistados, sublinhando a importância de continuar a discutir estes temas num contexto em que persistem formas de discriminação e o aumento da desinformação e discurso de ódio, tanto em Portugal como a nível internacional.
A sessão final, “Políticas de Saúde Mental LGBTQIA+: moralidade e estigma”, foi conduzida por Joana Casimiro (Universidade de Aveiro). Partindo da assunção de que não existem políticas de saúde mental em Portugal para estas comunidades, a sua comunicação problematizou a quase ausência de respostas estruturadas para estas comunidades, sublinhando o impacto de formas de estigma interseccional e de duplo estigma na procura e no acesso a cuidados de saúde adequados.
O evento concluiu com as palavras de Maria João Cabrita, que chamou à atenção para os recuos em matéria de direitos e igualdade de género, sublinhando que, desde o período da pandemia de COVID-19 até à atualidade, se têm tornado visíveis múltiplas formas de contestação de conquistas anteriormente tidas como consolidadas.
O Observatório Político agradece a todos os presentes e que contribuíram para o sucesso de Tempos e Políticas de Moralidade.